Olhando para o horizonte

José Vitor Fontinele

 

Caxias- Ma 

 

As águas do riacho correm na mesma direção do trem cargueiro, o qual vem
de longe cortando matas e cidades até passar por uma construção antiga,
semelhante a uma torre, a qual dizem ter sido erguida por escravos que no local
habitavam. Sem entrada em nenhuma parte torna-se inviável adentrá-la, sendo um
mistério o que possa ter em seu interior, chegando-se, assim, a se especular que a
torre fora obstruída há tempos, intencionalmente, mas cuja finalidade é
desconhecida por todos.

Ao entardecer, quando os raios de sol deixam de refletir sobre a construção
com toda sua intensidade, é possível visualizar em seu topo, ao lado de um cacto na
hora exata em que o trem passa, um senhor sentado com um chapéu de palha,
trajando branco, olhando para o horizonte e, na medida em que o sol vai se ponto, o
velhinho vai desaparecendo ao lado do trem e das águas do riacho, todos na mesma
direção, como se emergissem na escuridão. A essa hora já não se consegue ver
nem mesmo metade da construção.

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