População de Teresina volta às paradas de ônibus após fim da greve dos motoristas e cobradores

A população de Teresina voltou às paradas de ônibus nesta quarta-feira (13) após 23 dias de greve dos cobradores e motorista do transporte. O g1 registrou a circulação dos veículos, que estavam totalmente parados nas últimas três semanas. A previsão é de que 250 ônibus voltem a rodar na cidade.

Segundo relatos dos passageiros, a demora nesta manhã foi de cerca de 20 minutos. Nos dias anteriores, os usuários chegaram a esperar quase duas horas por um veículo alternativo.

g1 procurou a Superintendência de Trânsito, responsável pela fiscalização da prestação do serviço, mas ainda não teve retorno sobre se a frota está circulando normalmente e em sua totalidade.

Acordo e fim da greve

Ônibus voltam a circular após fim da greve em Teresina — Foto: Anielle Brandão / TV Clube

Ônibus voltam a circular após fim da greve em Teresina — Foto: Anielle Brandão / TV Clube

Os trabalhadores puseram fim à greve do transporte coletivo de Teresina nessa terça-feira (13). Durante a tarde, 30 ônibus voltaram a circular na capital.

A previsão era que os 250 veículos da frota retornassem às ruas. Contudo, a Strans informou que o serviço deve ser normalizado até esta quarta-feira (13).

O movimento grevista foi encerrado depois da assinatura da convenção coletiva, documento que garante os direitos dos trabalhadores do transporte.

“Essa convenção serve para termos uma segurança, para não acontecer o que vinha acontecendo nos anos anteriores com esse sofrimento, com salários irregulares, recebendo por hora ou por dia, algo que vinha massacrando o trabalhador do transporte público”, afirmou o presidente do sindicato dos motoristas e cobradores (Sintetro), Antônio Cardoso.

Na tarde da segunda (11), os trabalhadores decidiram aceitar a proposta feita pelo Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut), mas afirmaram que a greve só chegaria ao fim após a assinatura da convenção.

Ainda na segunda pela manhã, os trabalhadores informaram que a greve seria mantida, uma vez que a categoria não aceitou a proposta de retirada de 20% dos cobradores da frota de ônibus e nem o reajuste salarial apresentado. A redução do número de cobradores foi retirada das negociações.

Com o novo acordo, o salário do motorista de ônibus ficou fixado em R$ 2.000,00, enquanto o de cobrador ficou R$ 1.231,00 e fiscal R$ 1.325,00. Os trabalhadores também receberão os auxílio-alimentação de R$ 170 e auxílio-saúde de R$ 60, benefícios que não estavam sendo pagos desde 2020.

Motoristas e cobradores mantém greve pelo 22º dia e elaboram nova proposta a empresários e prefeitura de Teresina — Foto: Andrê Nascimento/g1

Motoristas e cobradores mantém greve pelo 22º dia e elaboram nova proposta a empresários e prefeitura de Teresina — Foto: Andrê Nascimento

“O salário é fixo a partir de agora. Não vai mais haver mais aquela irregularidade das empresas de quererem pagar por dia ou por hora. O que garante tudo isso é a convenção. Ela regulamenta a nossa carga horária, quando a gente trabalha no feriado é pago, questão de banco de horas e tem outras cláusulas. Eles queriam a retirada do cobrador, mas a gente conseguiu, essa cláusula não entrou”, afirmou o presidente do Sintetro, Antônio Cardoso.

A greve

Greve de ônibus em Teresina — Foto: Ilanna Serena/ g1 PI

Na segunda (11), a greve dos motoristas e cobradores de ônibus completou 22 dias. O Sintetro afirmou que os salários dos trabalhadores do setor estão congelados desde 2019, e em 2020 os trabalhadores ficaram sem ticket alimentação e plano de saúde.

  • O que se sabe e o que falta saber sobre a crise no transporte público de Teresina

Os cortes nos salários aconteceram em acordo com os empresários durante o pico da pandemia da Covid-19, em que a demanda pelo transporte reduziu na capital. Assim, os trabalhadores receberiam, por um determinado período, por horas trabalhadas.

Contudo, segundo a categoria, mesmo após o retorno normal das atividades, o pagamento normal do salário (cerca de R$ 1700) não aconteceu. Alguns profissionais relataram ganhar, há alguns meses, apenas R$ 80 e fizeram campanha de arrecadação de alimentos.

Ônibus Teresina, Piauí — Foto: Lívia ferreira/g1 PI

Já o Setut argumentou que perdeu a capacidade de operar o sistema de transporte após a queda de arrecadação durante a pandemia de Covid-19 e porque a Prefeitura de Teresina teria parado de repassar recursos para custear as gratuidades e descontos para as empresas.

“O Setut reforça que o sistema de transporte tem sido comprometido pela falta de ações efetivas do município e que aguarda novos direcionamentos para compatibilizar as questões entre empregadores e trabalhadores”, afirmou o sindicato, em nota.

A prefeitura negou que esteja descumprindo as obrigações. Sobre a greve, o prefeito de Teresina, Dr. Pessoa (MDB), informou que a “culpa é dos empresários” e que “está aberto ao diálogo”. O vice-prefeito, Robert Rios (PSB), foi alvo de críticas ao ironizar a greve, dizendo que não tinha relação com o tema por não ser nem usuário e nem empresário do transporte.

Impacto para população e trabalhadores

Usuários do transporte público de Teresina aguardam em parada — Foto: Ilanna Serena/g1

Segundo os trabalhadores, durante vários meses motoristas e cobradores ficaram sem receber salários e houve campanha para arrecadação de cestas básicas para ajudar os mais afetados. Diante da situação, iniciou-se a greve.

As empresas estimam que 180 mil pessoas foram afetadas pela greve. Não havia ônibus circulando na cidade, apesar de três decisões judiciais determinarem a circulação de pelo menos 80% da frota em horários de picos.

A população recorreu a ônibus alternativos, cadastrados pela prefeitura para funcionar durante a greve, mas os usuários afirmaram que a demanda não estava sendo atendida. O comércio tem sentido o impacto com a redução da circulação de pessoas principalmente no Centro da cidade.

As outras alternativas são os “ligeirinhos” (espécie de taxi-lotação informal), táxi, moto-táxi e transporte por aplicativo. Os valores, superiores à passagem de ônibus, pesam no bolso do trabalhador.

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