FUNDAC resgata história de Regeneração, cidade da “Região da Grande Água Branca”

Em visita a Regeneração/PI, cidade da “Região da Grande Água Branca” , a equipe técnica de Patrimônio e Preservação, da Fundação Cultural do Estado (Fundac), buscou resgatar pontos ocultos na história e o reconhecimento destes para a formação sócio-histórica do município.

Durante a visita, que foi solicitada pela prefeitura de Regeneração, a equipe buscou identificar vestígios de ocupações antrópicas, locais que supostamente eram aldeamentos ou refúgios de índios Guegues e Acroás, no período colonial.

Foram realizadas visitas a locais de imenso valor histórico, com indícios da presença destes grupos indígenas existentes ao longo do território do município de Regeneração, como as furnas dos índios, locais onde teriam se refugiados do regime de escravidão, negros e índios. Foram feitas também visitas a comunidades tradicionais que têm como base de produção o uso de recursos naturais.

Segundo Duci Aragão, acadêmica de Arqueologia que acompanhou a equipe da Fundac, os locais visitados pela equipe têm grande potencial arqueológico histórico. “O desenvolvimento de pesquisas arqueológicas no município de Regeneração viabiliza não só o acesso de turistas à região, mas principalmente é importante quando abarca a possibilidade das comunidades entenderem a finalidade do trabalho do pesquisador e se sensibilizarem para a preservação dos monumentos da destruição”, conclui a acadêmica.

História

Com base nos estudos de Reginaldo Miranda, a história de criação da cidade data de 26 de setembro de 1772. Regeneração foi criada por ordem do então governador para que servisse de aldeamento indígena (política indigenista da metrópole, que visava domar o ameríndio para favorecer a exploração escrava destes). Tratava-se de um assentamento de cunho colonial. Tal processo de ocupação territorial que atingiu o Piauí, através do projeto interiorização do Brasil em relação às populações que já habitavam nestes locais, que foram deslocadas forçadamente para estes, a fim de se garantir mão de obra barata ou até mesmo escrava.

Segundo o mesmo escritor, do processo de aldeamento foram originados freguesias, vilas e cidades. Nesse sentido a missão indígena de São Gonçalo do Amarante foi transformada em freguesia, a de São Gonçalo de Amarante e em seguida na criação de uma nova freguesia a de São Gonçalo da Regeneração, de uma nova vila e município o de Regeneração.
O aldeamento foi povoado por índios das nações Guegues e Acoroás, sendo ambos índios tapuias (não-tupis) de língua caraíba, do tronco Jê.

Os Gueguês, Guegueses ou Guegués em épocas e locais diferentes foram também chamados Goguê, Gurguaes, Gurguas ou Guruguéa, hoje Gurguéia, nome de um rio do Sul do Estado, em cujos arredores viviam.

Os Acoroás, índios subjugados, eram antes da conquista conhecidos por Acoroás-grandes, contraposição aos acoroás-mirins, depois designados Tapacuás. Também chamados Acroás (ou Akróas), Corerás, Coroás, Coroados (em face de terem cabelos lisos e geralmente usarem-no cortado em forma de coroa de frade), Acaroás, Acaroases e Acrás.

(*) Reinaldo Barros Torres, especial para o mpiaui.com

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