{"id":65195,"date":"2023-10-19T18:12:54","date_gmt":"2023-10-19T21:12:54","guid":{"rendered":"https:\/\/mpiaui.com.br\/consorcio-com-icmbio-produzira-5-mil-genomas-para-preservar-especies\/"},"modified":"2023-10-19T18:12:54","modified_gmt":"2023-10-19T21:12:54","slug":"consorcio-com-icmbio-produzira-5-mil-genomas-para-preservar-especies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/?p=65195","title":{"rendered":"Cons\u00f3rcio com ICMBio produzir\u00e1 5 mil genomas para preservar esp\u00e9cies"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>O Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Tecnol\u00f3gico Vale (ITV) deram in\u00edcio ao projeto Gen\u00f4mica da Biodiversidade Brasileira, que dever\u00e1 usar a gen\u00e9tica em benef\u00edcio da preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies da flora e da fauna brasileiras. O projeto, que ganha destaque pela envergadura, ter\u00e1 dura\u00e7\u00e3o de cinco anos e tem como meta produzir, na primeira etapa, 5 mil genomas, com prioridade para esp\u00e9cies que estejam sob maior risco ou que j\u00e1 tenham sido inclu\u00eddas em planos nacionais de conserva\u00e7\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1561830&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1561830&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>O sequenciamento gen\u00e9tico \u00e9 uma t\u00e9cnica de biologia molecular que permite a identifica\u00e7\u00e3o de bases nitrogenadas do material gen\u00e9tico. Quando especialistas t\u00eam em m\u00e3os dados gen\u00f4micos, podem us\u00e1-los para antever amea\u00e7as e realizar monitoramento de esp\u00e9cies, ao longo do tempo e em diferentes locais. No caso de seres humanos, o sequenciamento do DNA tem proporcionado, por exemplo, a aplica\u00e7\u00e3o de conhecimentos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, entre outras finalidades.<\/p>\n<p>Para levar adiante a primeira fase, foram formados um comit\u00ea de gest\u00e3o, com responsabilidade compartilhada entre o ICMBio e o ITV e cinco profissionais, cuja fun\u00e7\u00e3o ser\u00e1 coordenar o plano de trabalho, e um grupo de trabalho. Ao todo, ser\u00e3o 20 pesquisadores do ITV e mais de 30 especialistas da rede de pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o do ICMBio, al\u00e9m de analistas das unidades de conserva\u00e7\u00e3o federal. Ap\u00f3s a primeira reuni\u00e3o, realizada na \u00faltima semana de setembro, cada entidade de pesquisa ficou encarregada de pensar em parceiros acad\u00eamicos para indicar.<\/p>\n<p>Como ponto de partida, a equipe definiu uma lista de 80 esp\u00e9cies que ter\u00e3o seu sequenciamento gen\u00e9tico feito com um detalhamento maior, ou seja, que ir\u00e3o fornecer os genomas de refer\u00eancia e que exigem, portanto, mais tempo e dinheiro. Os integrantes do projeto disp\u00f5em de US$ 25 milh\u00f5es para desenvolver as a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Coordenador do projeto pelo lado do ITV, o pesquisador Alexandre Aleixo salienta que fazer sequenciamento no Brasil custa tr\u00eas vezes mais caro do que em pa\u00edses do Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n<p>Em uma apresenta\u00e7\u00e3o feita a jornalistas, no in\u00edcio deste m\u00eas, Aleixo exibiu, para ilustrar a amplitude e o n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o do projeto, um quadro que apontava os Estados Unidos, a China, o Reino Unido, a Noruega e a Alemanha como os pa\u00edses que mais armazenam dados sobre genomas de invertebrados j\u00e1 sequenciados. Tamb\u00e9m figura na listagem um cons\u00f3rcio internacional, que ocupa o segundo lugar, com 109 genomas j\u00e1 montados, atr\u00e1s dos Estados Unidos, que soma 200.<\/p>\n<p>Aleixo comenta que, desde o princ\u00edpio, a iniciativa foi pensada na forma de parceria com o ICMBio, pelo papel que a entidade desempenha. &#8220;\u00c9 muito prov\u00e1vel que o ICMBio traga, ao longo do projeto, mais demandas de genomas de refer\u00eancia. Por isso, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel precisar quantos ser\u00e3o os genomas de refer\u00eancia&#8221;, esclarece o pesquisador, que lidera o grupo de gen\u00f4mica ambiental no ITV e classificou o projeto como a concretiza\u00e7\u00e3o de &#8220;um grande sonho&#8221;.<\/p>\n<p>A analista ambiental Amely Branquinho Martins, uma das figuras que respondem pelo projeto, em nome do ICMBio, disse \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, que uma das satisfa\u00e7\u00f5es que os colegas de trabalho tiveram foi perceber que o instituto j\u00e1 vem andando na linha da proposta e que dispunha, quando questionado, de levantamentos bem encaminhados, que os orientaram no \u00e2mbito do projeto. &#8220;A surpresa foi quanto \u00e0 capacidade de identificar um n\u00famero bem grande de projetos que o instituto teve. S\u00f3 para genomas de refer\u00eancia, o ICMBio indicou 278 esp\u00e9cies que poderiam ser alvo de a\u00e7\u00e3o imediata&#8221;, relatou \u00e0 reportagem, em entrevista.<\/p>\n<p>De acordo com Amely, foram destacadas esp\u00e9cies mais conhecidas, como on\u00e7as, cachorro-vinagre, muriqui e macaco-aranha, e outras n\u00e3o t\u00e3o conhecidas. &#8220;Um dos projetos que devemos alavancar, possivelmente, \u00e9 relativo a um roedor, um ratinho que \u00e9 end\u00eamico do Brasil. O nome dele \u00e9 Juscelinomys, n\u00e3o \u00e9 encontrado desde a d\u00e9cada de 1960 e foi registrado quando Bras\u00edlia foi constru\u00edda. Foi coletado um \u00fanico exemplar e nunca mais foi encontrado. A\u00ed, a gente n\u00e3o sabe se a esp\u00e9cie foi extinta ou se a gente n\u00e3o conseguiu encontrar. A ideia \u00e9 que, com esse projeto, se consiga criar marcadores moleculares e procurar essa esp\u00e9cie, por meio de amostras de solo, \u00e1gua e ar, para definir se foi extinta ou se ainda se consegue encontr\u00e1-la, para preserv\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n<p>O projeto de pesquisa pode assumir tamb\u00e9m a miss\u00e3o de explorar novas esp\u00e9cies, como as que vivem nas cavernas do Brasil, que, segundo a analista, s\u00e3o deixadas de lado. &#8220;A gente sequer conhece a diversidade de esp\u00e9cies que existem nas cavernas do pa\u00eds. O projeto pode, portanto, ajudar a gente a conhecer a riqueza que tem.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Outros exemplos s\u00e3o os os rivul\u00eddeos, que as pessoas conhecem como peixes das nuvens. Existem esp\u00e9cies amea\u00e7adas de rivul\u00eddeos. Na Bacia do Rio S\u00e3o Francisco, a gente precisa construir uma popula\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a em cativeiro, porque est\u00e1 sob alto risco de extin\u00e7\u00e3o. Precisa conhecer a diversidade gen\u00e9tica para salvaguardar, se a gente tiver o manejo em cativeiro, visando \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie em vida livre&#8221;, disse Amely. Para ela, tamb\u00e9m devem merecer aten\u00e7\u00e3o do projeto os invertebrados, como abelhas, borboletas frut\u00edferas e outros insetos polinizadores com import\u00e2ncia para processos de reflorestamento, anf\u00edbios e r\u00e9pteis.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Tecnol\u00f3gico Vale (ITV) deram in\u00edcio ao projeto Gen\u00f4mica da Biodiversidade Brasileira, que dever\u00e1 usar a gen\u00e9tica em benef\u00edcio&hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":65196,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[802],"tags":[],"class_list":["post-65195","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/65195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=65195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/65195\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/65196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=65195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=65195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mpiaui.com.br\/antigo\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=65195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}