Enem 2026: professores dão dicas de literatura e português para prova
A revisão de conteúdos de literatura e língua portuguesa pode auxiliar os estudantes a se prepararem para o primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, que ocorre neste domingo (8). Entre os assuntos destacados pelos professores Rômulo Arantes e Flávio Martins, do Colégio Madre Savina, estão o modernismo brasileiro, os gêneros textuais, as funções da linguagem e as estratégias de resolução das questões.
Segundo Rômulo Arantes, a prova exige conhecimentos que vão além da memorização de autores e movimentos literários. O candidato precisa compreender a literatura como manifestação artística e reconhecer as características dos textos, incluindo as diferenças entre poema, poesia e prosa.
"É pensar na literatura como a arte da palavra, entender que a palavra é articulada de uma maneira especial. Não confundir algumas expressões técnicas, como poema e poesia. Poema é uma possibilidade de manifestação do texto literário. Todo poema tem poesia, mas nem toda poesia está no poema, pode estar na prosa, o que chamamos de prosa poética. Esses conceitos são imprescindíveis", explicou.
O professor também orienta os candidatos a revisarem as funções dos textos literários, como a informativa, a doutrinária, a lúdica e a social. Conforme Rômulo, as questões exigem a compreensão do texto apresentado, e não a opinião pessoal do estudante.
"É imprescindível compreender que a questão não pedirá a sua opinião, ela pedirá uma compreensão do texto base. Portanto, quando você estiver diante de uma composição poética, vão perguntar a você, de uma maneira indireta, qual a função que aquele poema exerce", destacou.
Modernismo brasileiro e movimentos culturais
Outro conteúdo indicado para revisão é o modernismo brasileiro, especialmente as transformações iniciadas com a Semana de Arte Moderna de 1922 e as características das fases de 1930 e 1945.
Segundo Rômulo, o movimento passou por mudanças relacionadas ao contexto histórico, desde a valorização da identidade nacional até a abordagem de questões sociais, políticas e filosóficas.
"Em 22, a prioridade era pensarmos a nacionalidade: somos ou não independentes? 100 anos após a independência, a resposta era não, e por isso um protesto foi a Semana de Arte Moderna", explicou.
O professor também destacou autores como Clarice Lispector e João Guimarães Rosa, além da importância de revisar manifestações culturais posteriores ao modernismo, incluindo a poesia concreta, a poesia marginal e movimentos musicais brasileiros.
"Vamos pensar, por favor, em Bossa Nova. Vamos lembrar do Vinícius de Moraes, vamos lembrar do maestro Tom Jobim. Aí não esquecer de revisar MPB e música de protesto. Aí tem figuras importantes, como, por exemplo, Chico Buarque de Hollanda, Geraldo Vandré", orientou.
Entre os demais movimentos citados estão a Jovem Guarda, o Tropicalismo e o Manguebeat, associado a Chico Science e Nação Zumbi.
Gêneros textuais e funções da linguagem
Na área de língua portuguesa, o professor Flávio Martins recomenda atenção especial aos gêneros textuais, principalmente os relacionados ao jornalismo, como notícia, reportagem, editorial, carta do leitor e carta aberta.
"O domínio jornalístico é o que eu quero chamar mais a atenção. É incrível como o nosso estudante hoje tem que saber a diferença entre notícia, reportagem, editorial, carta de leitor, carta ao leitor, manifesto, carta aberta. O domínio que esses estudantes precisam ter a partir do jornalismo é enorme", afirmou.
Foto: Rayane Venancio/ Cidadeverde.com

Segundo Flávio, a crônica também merece atenção por reunir características jornalísticas e literárias, com situações cotidianas acompanhadas de reflexões subjetivas.
"Sempre que aparecer uma crônica, você vai ter um elemento do cotidiano, um evento do cotidiano, com uma reflexão subjetiva e literária. Cuidado, porque a crônica é recorrente nas provas do Enem", alertou.
O professor também recomenda revisar os tipos textuais, especialmente o injuntivo, frequentemente associado a campanhas publicitárias, além das funções da linguagem, conteúdo que, segundo ele, costuma aparecer em duas ou três questões.
"Por exemplo, você vai aqui para a função referencial, um outro nome para ela: denotativa. Se você vai para a função poética, o outro nome dela, o nosso querido professor também trouxe: conotativa, que é o sentido literário", explicou.
Entre os eixos temáticos destacados pelo professor estão acessibilidade, atividade física, corpo e neurodivergências, assuntos que podem aparecer em textos utilizados nas questões.
Estratégias para resolver as questões
Além da revisão dos conteúdos, Flávio Martins orienta os candidatos a prestarem atenção ao comando de cada questão. Segundo ele, algumas alternativas podem apresentar informações verdadeiras, mas que não correspondem exatamente ao que foi solicitado.
"Entenda: o comando vai definir o que ele quer. O problema são os distratores. Eu vou colocar nos distratores informações corretas, mas que não estão seguindo o comando. Eu também posso colocar uma parte certa e uma parte errada. Eu também posso colocar uma alternativa ampla demais ou específica", explicou.
Como exemplo, o professor citou uma questão sobre a proibição do uso de celulares em sala de aula. Nesse caso, uma alternativa que mencione a proibição de todos os meios eletrônicos amplia o sentido do texto e pode induzir o estudante ao erro.
"Observe que o texto é específico sobre um aparelho. Meios eletrônicos, o aluno pensa: 'Ah, é um tipo de meio eletrônico.' Para o Enem, por favor, não marque. A ideia é manter o equilíbrio: se o texto é amplo, resposta ampla; texto específico, resposta específica", orientou.
Flávio também reforçou que as respostas devem estar fundamentadas nas informações do texto e nos conhecimentos exigidos pela questão, sem associações que ultrapassem o conteúdo apresentado.
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