Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
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O candeeiro

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José Vitor Fontinele     Imagens de Candeeiro antigo, fotografias de stock Candeeiro antigo | Depositphotos Depositphotos     Um homem, na frente de uma vereda, sozinho, perdido, triste e imerso numa solidão inimaginável, mas deve seguir; pegar a trilha que o leva para sua casa, mesmo com poucas estrelas no céu, sem a luz da lua para iluminá-lo, adentra a estreita vereda em mata fechada, habitada por criaturas que animam a noite lhe vivificando, como o bater de asas de uma coruja branca, os sons dos rastros de animais, os grilos, e o esturro de uma onça. No entanto, ele deve seguir, se não o fizer, como voltará para casa? A noite é infindável para ele, sua única vantagem seria seu candeeiro se estivesse aceso ou, se, de posse de algo para acendê-lo, condição sem a qual dificulta seu trajeto na vereda da vasta e densa mata que o leva ao seu destino, mas o desânimo que o assola acaba por tornar esse fato despercebido e ele começa a dar seus primeiros passos, de certo modo inconsciente, como quem age por instinto. No começo é difícil, são muitas as dificuldades, mas ele vai de encontro a todas, não se deixa abalar pelo medo, e essa sua crença já faz faiscar seu candeeiro. Contudo, mais um pouco à frente a resignação pelos esforços empreendidos para se chegar à sua morada faz cintilar uma pequena luz, essa já há de clarear um pouco seu caminho, e, antes de chegar em seu destino, o candeeiro resplandece, e, agora, ele, com o braço levantado à altura de sua cabeça, pode ver com nitidez tudo que o cerca e está em seu caminho: os galhos com espinhos, pedras, buracos, um tronco atravessado... E, assim, chega ao final, pois suas virtudes morais sempre o acompanharam, e, à medida em que ele demonstrava estar determinado, era recompensado pelo bom homem que sempre foi    Nota do autor: A casa é onde devemos chegar, isto é, os objetivos almejados, mesmo que as circunstâncias nos pareçam desfavoráveis, na vereda da vida, pois o que garante que, decerto, chegaremos é o candeeiro, a alma, morada das virtudes humanas, as quais nos facultam agir com determinação diante do que nos é posto e à medida em que nossa credulidade vai se tornando mais patente, logramos êxitos.

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