Maranhão: Caso Fábio Brasil. Acusado faz carta e cita empresário do PI. ‘Viúva sabe’

Acusado de envolvimento na morte do jornalista Décio Sá, em São Luis, e do corretor Fábio Brasil, em Teresina, Júnior Bolinha escreveu uma carta ao secretário de Segurança Pública do Maranhão, Aluísio Mendes, solicitando um novo depoimento onde pretende dar detalhes que podem elucidar o caso envolvendo os dois crimes.

Segundo a reportagem do Jornal Pequeno, do Maranhão, além da carta, o advogado de Júnior Bolinha, o teresinense Bruno Milton Sousa Batista, protocolou um pedido destinado ao juiz auxiliar Hélio de Araújo Carvalho Filho – que respondia provisoriamente pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, mas cuja titularidade já mudou para o juiz José Costa, que pede a noiva oitiva.

Ao pedido foi juntado um bilhete à Justiça, escrito de próprio punho por “Bolinha” há aproximadamente três meses, mas que chega às mãos do destinatário só agora. Nele, “Bolinha” revela saber os nomes dos mandantes tanto da morte de Décio Sá como do negociante de carros Fábio Brasil (assassinado em 31 de março de 2012, no centro de Teresina).

Veja os termos do bilhete

“As informações que eu tenho servirão para esclarecer o caso [assassinato de Décio Sá] de uma vez por todas. Eu nada tenho com a história, com os crimes [que vitimaram Décio Sá e Fábio Brasil], mas sei de tudo, especialmente os nomes das pessoas que de fato queriam as duas mortes, os intermediários e os mandantes.

Sei do restaurante, o local do encontro, assisti as conversas, e os que delas participaram sabem muito bem que me fizeram de bode expiatório de uma trama que atinge diretamente pessoas que ainda não foram atingidas pelas investigações.

Todos os detalhes, com as provas, estão guardados em vários locais, para minha segurança. Estou concluindo o dossiê que mostra quem são os mandantes e intermediários dos crimes, que indevidamente me envolveram. Sou temente a Deus e na Justiça dos homens. Confio que os fatos que relatarei mostram a verdade e serão suficientes para me tirar do lugar onde não mereço estar”.

Júnior Bolinha promete fazer revelações sobre os assassinatosJúnior Bolinha promete fazer revelações sobre os assassinatos

CARTA FALA SOBRE DONO DE JOALHERIA
Além do bilhete, “Júnior Bolinha” escreveu uma carta, enviada ao secretário Aluísio Mendes (Segurança Pública), em 20 de fevereiro deste ano. Na carta, “Bolinha” menciona o nome do empreiteiro que ele acusa de ser um dos mandantes do assassinato de Décio Sá, e cita o dono de cadeia de lojas de Teresina quando fala da trama que resultou na morte de Fábio Brasil.

*Reprodução da suposta carta de Júnior Bolinha

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Bolinha também revela na carta o local onde o assassinato de Décio Sá teria sido tramado: o sofisticado restaurante Grand Cru, localizado no bairro do Olho d’Água, em São Luís. O JP tentou falar ontem (6), por telefone, com o secretário Aluísio Mendes, sobre o que a polícia fez, em relação às informações contidas na carta, mas o secretário não atendeu as ligações.

CARTA ENVIADA A PROMOTOR NO PI
A carta enviada a Aluísio Mendes foi encaminhada pelo advogado Adriano Cunha ao promotor João Mendes Benigno Filho, de Teresina, para ser juntada ao processo sobre o “caso Fábio Brasil”, que corre no Piauí. Cunha representa Gláucio Alencar Pontes Carvalho e José de Alencar Miranda Carvalho – ambos presos no quartel da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA), acusados pela polícia de ter mandado matar tanto Décio como Fábio.

Em contato com o promotor Benígno Filho, que trabalha nas investigações da morte de Fábio Brasil em Teresina, o 180graus foi informado que nenhuma carta chegou ao poder do membro do Ministério Público. “Fiquei sabendo desta carta apenas através e sites de notícias, mas nada chegou em nossas mãos. E claro que se chegar ela será analisada e claro, primeiramente verificada a procedência e se esta carta é mesmo escrita por Júnior Bolinha.

Promotor informou ao 180graus que ainda não recebeu nenhuma cartaPromotor informou ao 180graus que ainda não recebeu nenhuma carta

ENTENDA OS CASOS
Ao todo houve 13 indiciados pelo assassinato do jornalista, e sete ela morte do empresário Fábio Brasil, no Piauí. O jornalista Décio Sá foi morto a tiros, em abril, na Avenida Litorânea, em São Luís. Após investigação, foi descoberto que uma quadrilha de agiotas, que atuava nos Estados do Maranhão e do Pará, articulou a execução do jornalista. Fábio Brasil era um empresário do Piauí que, segundo as investigações já fez parte da quadrilha, mas ficou devendo dinheiro para os chefes do bando acusado de matar Décio Sá: Glaúcio Alencar e o pai dele, José de Alencar Miranda.  

Fábio Brasil foi executado em plena avenida Miguel Rosa em TeresinaFábio Brasil foi executado em plena avenida Miguel Rosa em Teresina

Os dois teriam contratado um dos maiores pistoleiros do norte e nordeste do país – Jhonatan dos Santos Silva, que confessou ter matado quase cinquenta pessoas. Além do assassinato de Fábio Brasil (em 31 de março do ano passado) o pistoleiro confessou ainda ter matado o jornalista Décio Sá, no dia 23 de outubro do ano passado, em São Luís – a mando da mesma quadrilha de agiotas.

Grupo foi preso acusado de envolvimento na morte de Décio SáGrupo foi preso acusado de envolvimento na morte de Décio Sá

 

Fonte: Com inf. Jornal Pequeno

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