Fiéis de Olho D’Água do Piauí mantém tradição das romarias

A tradição das romarias de Olho D’Água do Piauí a Juazeiro do Norte: fé, história e continuidade
As viagens de romeiros para Juazeiro do Norte têm origem no ano de 1889, quando ocorreu o chamado milagre da Beata Maria de Araújo. Durante uma missa celebrada pelo então recém-ordenado Padre Cícero, a hóstia colocada em sua boca teria se transformado em sangue, episódio interpretado pelos fiéis como a manifestação do corpo e sangue de Cristo.

O fato marcou profundamente a religiosidade popular nordestina e deu início a um dos maiores movimentos de peregrinação do Brasil.
A partir desse acontecimento, pessoas da região do Crato e de cidades vizinhas começaram a se deslocar para Juazeiro. A notícia rapidamente se espalhou por todo o país, especialmente no Nordeste, consolidando a cidade como um dos principais centros de fé do Brasil. Desde o início do século XX — entre os anos de 1907, 1908, 1909 e 1910 — já havia registros de moradores de Olho D’Água do Piauí que seguiam a pé para Juazeiro, movidos pela devoção ao Padre Cícero.
Com o falecimento do sacerdote, as romarias não diminuíram; ao contrário, intensificaram-se, especialmente a partir da década de 1970. O que antes era feito a pé passou a contar com novos meios de transporte, como caminhões, facilitando o deslocamento dos fiéis.

Nesse contexto, destacaram-se importantes romeiros de Olho D’Água, como a senhora conhecida como Vange, mãe de Bernardo, além do senhor Nélio. Posteriormente, a saudosa Amadina Leal e a saudosa Chica do Xiném, de Lagoinha, passaram a organizar caravanas, levando dezenas de devotos da região.
A tradição ganhou novo impulso a partir dos anos 2000.
Em 2001, iniciou-se uma nova fase de organização das romarias, ampliando a participação de fiéis. Mesmo com pausas temporárias, o movimento foi retomado com força em 2007, mantendo-se ativo nos anos seguintes.

Após o falecimento de Chica do Chinelo, em 2010, a organização passou a ser conduzida por novos responsáveis, que deram continuidade à missão, chegando a mobilizar dois ônibus por ano entre 2011 e 2025.
Em 2026, um novo capítulo foi iniciado, com a realização de uma romaria organizada de forma independente, reafirmando o compromisso com a fé e com a preservação dessa tradição centenária.
A história das romarias de Olho D’Água do Piauí a Juazeiro do Norte é, acima de tudo, um testemunho de perseverança e devoção. Mais do que uma viagem, trata-se de um movimento cultural e religioso que atravessa gerações, mantendo viva a fé do povo nordestino e fortalecendo os laços comunitários por meio da espiritualidade e da tradição.

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