Eliminação do Brasil na Copa pode reduzir vendas de cerveja, diz Morgan Stanley

A eliminação do Brasil e do México da Copa do Mundo pode afetar as vendas de cerveja na América Latina no terceiro trimestre, segundo análise do Morgan Stanley. Para o banco, a saída precoce das duas seleções reduz a expectativa de aumento no consumo durante o torneio, especialmente em mercados como Brasil e México.

De acordo com os analistas liderados por Sarah Simon, o crescimento das vendas de cerveja costuma ganhar força quando as seleções permanecem por mais tempo na competição.

“Acreditamos que a maior parte do aumento no volume de vendas de cerveja se deve a uma longa sequência de jogos”, afirmaram os analistas.

Nesse cenário, o Morgan Stanley avalia que a AB InBev, dona de marcas como Corona e Skol, é a empresa mais exposta ao impacto, devido à forte presença no Brasil e no México. A Heineken também possui exposição relevante aos dois mercados.

Ações do setor recuam

Após as eliminações, as ações das principais cervejarias fecharam em queda nesta segunda-feira (6). A AB InBev recuou mais de 4% na Bolsa de Bruxelas, enquanto a Heineken perdeu 1,4% em Amsterdã.

Além disso, a Constellation Brands, responsável pela distribuição das cervejas Corona e Modelo nos Estados Unidos, caiu 4,9%, atingindo o menor patamar desde novembro. Já a Boston Beer e a Molson Coors também encerraram o pregão no vermelho.

No Brasil, a Ambev (ABEV3), subsidiária da AB InBev, fechou em queda de 2,5% na B3.

Brasil deve sentir impacto maior

Segundo o Morgan Stanley, a eliminação da seleção brasileira tende a ter um efeito mais significativo sobre o consumo de cerveja do que a saída do México.

Para os analistas, o principal impacto não é uma queda nas vendas já existentes, mas a perda do crescimento adicional que normalmente ocorre quando uma seleção segue viva no torneio.

“Consideramos esse impacto negativo principalmente como uma ausência de crescimento incremental que teria ocorrido se qualquer uma das equipes tivesse avançado mais na competição”, destacou o relatório.

EUA ainda podem impulsionar consumo

Ao mesmo tempo, o banco afirma que a seleção dos Estados Unidos ainda pode compensar parte desse efeito caso avance na competição.

Cerca de 20% da receita da AB InBev vem do mercado norte-americano. Além disso, por sediar a Copa do Mundo, os Estados Unidos podem registrar um aumento no consumo de cerveja se a equipe mantiver uma boa campanha.

No entanto, os analistas ponderam que esse efeito ainda é incerto, já que o histórico do futebol no país é mais curto do que em mercados tradicionais da América Latina. Mesmo assim, o Morgan Stanley avalia que uma campanha prolongada da seleção americana pode representar uma surpresa positiva para as vendas do setor.

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Fonte BPMoney

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