Com o recesso escolar, os dias mais livres e a mudança nos horários de sono e lazer, a alimentação das crianças acaba sendo impactada diretamente. Durante as férias, é comum que os pequenos durmam mais tarde, passem mais tempo nas telas e troquem refeições completas por lanches rápidos — e nem sempre saudáveis. O desafio para pais e responsáveis, nesse cenário, é manter uma alimentação equilibrada sem deixar de lado a leveza e o clima de diversão das férias.
“A quebra da rotina alimentar e a flexibilidade nos horários para dormir, acordar e comer pode afetar tanto a regularidade quanto a qualidade da alimentação das crianças”, explica a nutricionista do Grupo Mateus, Jordânia Aguiar. “Como a criança está de férias, a alimentação acaba sendo mais permissiva. É muito comum nas férias, para ocupar a criança ou agradá-la, oferecer guloseimas. Isso pode criar uma relação emocional com os alimentos e favorecer hábitos alimentares desregulados no futuro”, explica.
Sem abrir mão das guloseimas
Para driblar esse ciclo, a recomendação é simples: manter horários minimamente organizados, especialmente para o café da manhã, almoço e jantar. A nutricionista também reforça que incluir a criança no preparo das refeições ajuda no interesse por alimentos mais saudáveis. “Fazer juntos lanches criativos, com frutas cortadas de formas diferentes, sanduíches naturais ou bolinhos caseiros, é uma maneira eficaz de promover educação alimentar”, diz.
Adriara dos Passos Franco Dziekanski, 30 anos, estudante de Nutrição, compartilha como mantém o equilíbrio alimentar da filha Atena, de 7 anos, durante as férias. “Tento ao máximo preservar os horários das refeições. Quando acordamos mais tarde, fazemos juntas algo nutritivo como panqueca de banana com aveia e ovo”, conta.
Para ela, o segredo está na organização da rotina alimentar da semana e na flexibilidade consciente. “Se estivermos fora, como numa cafeteria, ela come o que estiver disponível. Acredito que também é importante viver momentos especiais, sem restrições extremas, porque isso constrói uma relação mais leve com a comida.”
Adriara também defende que envolver as crianças no preparo dos alimentos tem um impacto duradouro. “Incluo minha filha na cozinha. Ela ajuda a preparar a panqueca, por exemplo. Isso cria memórias afetivas, autonomia e uma relação positiva com os alimentos.”
Dicas práticas para os pais durante as férias:
* Mantenha horários fixos para café, almoço e jantar, mesmo com mais flexibilidade;
* Prefira alimentos in natura ou minimamente processados;
* Monte lancheiras saudáveis para passeios, com frutas, castanhas, bolinhos caseiros e chips de legumes;
* Evite substituir refeições por lanches rápidos;
* Inclua a criança no preparo dos alimentos;
* Esteja atento ao comportamento: mudanças bruscas de apetite, sono e humor podem indicar desequilíbrios nutricionais.
Manter o equilíbrio na alimentação das crianças nas férias não significa proibir doces ou guloseimas, mas encontrar um meio-termo saudável. Afinal, como resume a nutricionista Jordânia Aguiar: “A alimentação nas férias não deve ser negligenciada, pois influencia diretamente na saúde, no comportamento e no bem-estar da criança durante e após esse período”, finaliza.