O bairro Redenção, antes chamado Nossa Senhora do Perpétuo Socorro comemora neste dia 1º de abril, 58 anos de fundação, Conforme o censo 2010 a população do bairro Redenção representava 0,42% da cidade de Teresina. Na última década, a população do bairro aumentou 12,2%. O bairro possui 3.248 habitantes, sendo que 53.17% são mulheres e 46.83% de homens. No bairro existem mais jovens que idosos, constituindo 27.3% de jovens e 5.4% de idosos. Atualmente são 829 domicílios existentes.
Sua construção foi impulsionada pela inauguração, em 1966, do conjunto Monte Castelo, na mesma Zona Sul de Teresina. Era uma época em que a política desenvolvimentista do Governo Militar possibilitou o surgimento dos grandes conjuntos habitacionais da capital. Mais tarde essa política daria origem também ao Parque Piauí, Bela Vista e vários outros.
Assim como vários outros conjuntos habitacionais de Teresina, os mutuários não tiveram inicialmente água encanada e energia elétrica. Para buscar água era em carros-pipa ou em lugares distantes muitas vezes efetuando pagamentos como, por exemplo, 20 centavos de cruzeiro por litro adquirido. A construção de um chafariz (Hoje em seu lugar está a Praça Leorne Avelino, construída no início da década de 1980) no centro do conjunto visava resolver esse problema.
As ruas eram todas de terra batida ou piçarra, resultado típico do terreno que foram edificadas cujo barro alaranjado soltava uma poeira fina da mesma tonalidade. Consta que, por esse motivo, os moradores da Redenção eram facilmente identificados pelo pó nas roupas quando se deslocavam ao Centro da cidade.
No período chuvoso tudo piorava. Durante o inverno teresinense de fevereiro de 1973, por exemplo, algumas casas estavam ameaçadas de desabamento em decorrência dos fortes temporais que se sucederam.
A situação só se resolveu primeiro em 1976 quando a Prefeitura na gestão Wall Ferraz (1975-1979) pavimentou as vias com as precárias pedras boca de jacaré (Somente no final da década de 1980 as ruas ganharam sua primeira camada de asfalto), e com a instalação de galerias de escoamento de água e esgoto em anos posteriores.
Boa parte das melhorias do início da Redenção se deu por causa da Associação de Moradores, principalmente por seu primeiro presidente: Sanção Santos(3). Nascido em Teresina em 1918, foi funcionário público estadual e contador. Trabalhou também como humorista e cantor nas rádios teresinenses sendo daí que ganhou o apelido de Guarani. Já aposentado, passou a residir no local e consta que era querido pelos moradores e sempre estava com a casa cheia. Possibilitou a construção da quadra de esportes no final da década de 1960, antes de falecer no ano de 1970. Em sua homenagem, uma praça do conjunto recebeu seu nome em 1976.
A quadra de esportes garantiu lazer aos residentes uma vez que a localização da Redenção a deixava isolada e muito distante do centro comercial da cidade. Ficaram bastante conhecidas as partidas entre os clubes de futebol locais no campeonato interbairros de Teresina organizado pelo radialista Dídimo de Castro. Os dois clubes sensação eram o Redenção (De propriedade do seu Geraldo, mais conhecido como “seu Jaú”) e o Combatente (De propriedade do seu Isnad) que por algum tempo bateram várias equipes amadoras da capital.
O bairro abriga importantes prédios de serviço público como o Hospital de Urgência de Teresina (HUT), Estádio Alberto Silva (Albertão), o Departamento Estadual de Trânsito do Piauí (DETRAN), Justiça Federal de Primeiro Grau no Piauí, Complexo de Defesa da Cidadania (CDC). Recentemente o Redenção também ganhou um polo da Faculdade Mauricio de Nassau e será sede do 1º Hospital da Mulher que será construído pela Prefeitura Municipal de Teresina..
O bairro possui ainda unidade de Assistência Social, a Casa de Metara. Possui a escola municipal infantil CMEI Presidente Costa e Silva. Conta com a quadra de esportes Antilhon Ribeiro Soares e com as duas praças públicas: Praça Sansão Santos e Praça Leorne Avelino / Praça do Centro Esportivo.
O bairro Redenção possui uma linha de ônibus exclusiva, além de linhas opcionais na BR-343 e nas avenidas Miguel Rosa e Gil Martins.
O bairro tem o endereço para grande órgãos como o Estádio Albertao, Hospital de Urgência de Teresina -HUT, Justiça Federal do Piauí e Federação das Indústrias do Estado do Piauí e será ainda a rede do 1º Hospital de Mulher que será construído pela Prefeitura Municipal de Teresina.
Curiosa origem do nome
Assim que terminaram as construções das unidades habitacionais, logo recebeu da Prefeitura Municipal a denominação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Entretanto, há uma história bastante conhecida entre os primeiros moradores de que o nome Redenção permaneceu devido a uma novela emitida por essas bandas na época. Na trama, havia uma fictícia cidade do interior paulista que era distante de tudo tal como era o conjunto habitacional de Teresina.
Em nossas buscas, a produção que consta tal história foi Sublime Redenção, de Raymundo Lopes, originalmente da extinta Rádio Mayrink Veiga e apresentada em 1957. Chama a atenção que a radionovela era dos final dos anos 1950. Teria sido reexibida dez anos depois por aqui em uma de nossas rádios? Mais intrigante ainda era que, de 1966 a 1968, foi transmitida com muito sucesso pela TV Exclesior uma adaptação dessa mesma produção chamada Redenção, com o ator Francisco Cuoco no elenco e com roteiro do mesmo Raymundo Lopes.
Fica a questão: o nome teria sido pela radionovela ou pela telenovela? A primeira frequência de uma emissora de televisão em Teresina se fez presente somente em agosto de 1968, pois é desse ano que se passou a retransmitir de forma precária a TV Difusora de São Luís (Maranhão). Como a telenovela encerrou em maio de 1968, o nome atual do conjunto provavelmente foi dado mesmo por influência da radionovela.
Durante a década de 1980, moradores tentaram voltar com o nome Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Nesse período a linha de ônibus que servia o conjunto trazia já essa primeira denominação no letreiro confundindo muitos usuários. Não vingou e ficou por pouco tempo, mas nas antigas listas telefônicas de Teresina feitas pela extinta Telepisa nos anos 1990, o nome do conjunto vinha grafado nas páginas cinza (Onde ficavam os dados dos assinantes) como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Nome original: Conjunto habitacional Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Nome popular e adotado oficialmente: Conjunto habitacional Redenção.
Inauguração: 1º de abril de 1967.
Número de casas construídas em 1967: 302 (Números do Governo Helvídio Nunes).
Financiador: Banco Nacional de Habitação (BNH).
Vias principais: Avenida Getúlio Vargas, Avenida Industrial Gil Martins e Avenida Miguel Rosa.