A 11ª rodada de petróleo da Agência Nacional de Petróleo (ANP), prevista para ser realizada em dois dias, começou às 9h desta terça-feira (14) e terminou por volta das 17h30 com a arrecadação recorde de R$ 2,8 bilhões, batendo os R$ 2,1 bilhões arrecadados na 9ª rodada, em 2007. Foram oferecidos 289 blocos em terra e mar, em 11 bacias sedimentares, entre maduras e de novas fronteiras. Foram arrematados 142 blocos.
A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, afirmou que as empresas arremataram 142 dos 282 blocos ofertados, totalizando R$ 7 bilhões de investimentos. O ágio no bônus de assinatura foi de 797,8%, segundo Magda Chambriard, lembrando que as empresas ocuparão áreas de 100,373 mil quilômetros quadrados de um total de 155 mil quilômetros quadrados ofertados.
Ao todo, 39 empresas de 12 países participaram, das quais 30 foram vencedoras, sendo 12 nacionais e 18 de origem estrangeira: Austrália (1), Bermudas (1), Canadá (4), Colômbia (2), Espanha (1), Estados Unidos (2), França (1), Guernesei (1), Noruega (1), Portugal (1), Reino Unido (3). O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e Magda abriram o evento. “É um sucesso absoluto até agora e vai continuar”, falou Magda, destacando que até o momento foram ofertadas áreas da Bacia do Parnaíba, Foz do Amazonas e Barreirinhas.
PARA O NORDESTE
Segundo Magda, a ideia é a descentralizar o investimento exploratório em direção ao Norte e Nordeste do país. “ Essa 11ª Rodada vem contando com forte disputa entre as empresas. Selecionamos 64 empresas, 30 delas classificadas como operadoras A, portanto candidatas a operar em águas profundas. Tivemos de suspender o credenciamento, pois esperávamos 700 pessoas e já são mais de mil”, disse Magda. Com a rodada, pretende-se ampliar a produção de petróleo, gerar empregos e aumentar a renda da sociedade brasileira. Magda anunciou ainda a aprovação de José Gutman como um dos diretores da ANP, escolhidos pela presidente Dilma Rousseff.

Ministro de Minas e Energia Edson Lobão e diretora-geral da ANP, Magda Chambriard
EMPRESAS HABILITADAS
A 11ª Rodada ofereceu 289 blocos em 11 bacias sedimentares do país. A sequência de licitações, por bacias sedimentares foi: Parnaíba, Foz do Amazonas, Barreirinhas, Potiguar, Espírito Santo, Pará-Maranhão, Ceará, Pernambuco-Parnaíba, Sergipe-Alagoas, Tucano e Recôncavo. Dos 289 blocos ofertados, 123 são em terra e 166 no mar: 94 deles são em águas profundas, 72 em rasas, totalizando 155,8 mil km2. Mais de 60 empresas foram habilitadas a participar do leilão, entre elas OGX, Shell, BG, Repsol, Queiroz Galvão, BHP BillitonMaersk, Statoil, Chevron, Petronas e outras.

Seis empresas venceram o leilão dos blocos para exploração de gás na bacia do rio Parnaíba; entre elas a de Eike Batista
NA BACIA DO PARNAÍBA, NO PIAUÍ
A Bacia do Parnaíba é considerada nova fronteira petrolífera e fica na região Nordeste. Tem área aproximada de 680 mil km2 e se estende aos estados de Maranhão, Piauí, Tocantins, além de trechos de Pará, Ceará e Bahia. O único campo produtor da bacia atualmente é Gavião Real, da OGX, de Eike Batista. Parnaíba tem potencial para produção de gás natural. Foram oferecidos blocos na margem equatorial do Brasil e também em áreas maduras, em que já houve ou existem hoje atividades de exploração de óleo e gás, como as Bacias de Sergipe-Alagoas, Recôncavo e a parte terrestre da Bacia do Espírito Santo.

Governador Wilson Martins (da esquerda para direita é o antepenúltimo na foto) e outras autoridades do Piauí durante a solenidade
WILSÃO É SÓ ALEGRIA COM A BOA NOTÍCIA
Para o governador Wilson Martins (PSB), o leilão dos blocos para exploração de gás na bacia do rio Parnaíba superou as expectativas e se consagrou como um “momento histórico”, um marco na economia do Estado, principalmente porque dois dos lotes piauienses têm grandes possibilidades de possuir petróleo. “Temos a previsão de bilhões em investimentos para os próximos quatro anos e há possibilidade de petróleo no litoral. Dos 26 lotes da Bacia da Barreirinha (MA), dois estão no Piauí. Não contávamos com essa expectativa. Foi um momento histórico para o Estado, importante para o desenvolvimento”, disse o governador, em entrevista por telefone ao programa Jornal do Piauí da TV Cidade Verde. Wilsão acrescentou que uma das empresas vencedoras da licitação já entrou em contato com o governo e pretende investir na mineração e outras áreas do Estado. “Não podemos dizer qual é a empresa ainda por questões de empreendedorismo, mas ela pretende se instalar no Piauí e gerar mais empregos e renda. Além disso, estamos felizes porque nossos lotes foram disputados pelas melhores empresas, o que garante pluralidade e nos dá segurança. A Petrobras venceu quatro lotes importantes. Agora o governo federal não tem mais desculpa para não investir no Piauí. É hora de pagar a dívida com nosso Estado”.