Excesso de aguapés cobre trecho do Rio Poti e preocupa por impacto ambiental
Uma grande quantidade de aguapés e outras plantas aquáticas tomou conta de um trecho do Rio Poti, em Teresina, e chamou a atenção de moradores e pescadores. A manta verde cobre parte do leito do rio, próximo a construção da Ponte da UFPI, entre as zonas Norte e Leste de Teresina, e dificulta a passagem de embarcações e o acesso de pessoas à região.
De acordo com o professor e biólogo Francisco Soares, o fenômeno está diretamente relacionado à quantidade de matéria orgânica presente na água. Segundo ele, o lançamento de esgoto sem tratamento contribui para aumentar a concentração de nutrientes no rio, favorecendo a proliferação das plantas.
“Boa parte dos nossos esgotos são de natureza orgânica e são despejados in natura, caindo no rio. Isso aumenta o teor de matéria orgânica. Nesse período, especificamente, você não tem chuvas e tem uma taxa de evaporação muito alta, fazendo com que parte da água do rio evapore e aumente a concentração desses poluentes”, explicou.
O professor destacou que as condições atuais são favoráveis ao crescimento dos aguapés. Com água, luz e nutrientes provenientes da matéria orgânica, as plantas encontram um ambiente adequado para se desenvolver rapidamente. Apesar de o aguapé exercer uma função importante no ecossistema, a proliferação excessiva pode provocar desequilíbrio ambiental.
“A planta presta um grande serviço ecossistêmico, porque ela filtra a água. Entretanto, essa cobertura faz com que ocorra uma redução nas trocas gasosas entre a atmosfera e a água do rio, diminuindo o oxigênio disponível para as espécies aquáticas que vivem aqui”, afirmou.
Foto: Marlon Lima/Tv Cidade Verde

Retirada deve ser acompanhada de monitoramento
Diante do cenário, pescadores e moradores têm se mobilizado para retirar parte da vegetação e abrir espaço para a circulação no rio. O biólogo, porém, explica que a retirada das plantas precisa ser feita de forma controlada.
"A longo prazo, a principal medida é ampliar o tratamento de esgoto e a interligação dos imóveis à rede de saneamento. Já no curto prazo, é necessário monitorar o crescimento das chamadas macrófitas aquáticas (grupo que inclui os aguapés e outras plantas que vivem na água). Essa retirada também não pode ser total, já que a planta exerce esse papel de filtrar a água do rio”, explicou.
Fenômeno apareceu mais cedo este ano
Francisco Soares também avalia que o crescimento excessivo das plantas aquáticas ocorreu de forma antecipada neste ano. Segundo ele, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem ter contribuído para acelerar o processo.
“Este ano, sim. Talvez porque as chuvas tenham abreviado mais cedo. Você tem o efeito do El Niño, fazendo com que o calor aumente muito e, consequentemente, a taxa de evaporação. Se a poluição permanece constante, você vai ter o aumento dessas macrófitas aquáticas”, concluiu.
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